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domingo, 6 de setembro de 2015



“20 DE AGOSTO – DIA DO MAÇOM” MAS O QUE É SER MAÇOM?

“Cada casa tem seu arquiteto; mas o arquiteto de tudo é Deus .“
Bíblia Sagrada, Livro de Hebreus , cap. 3, versículo 4.
O homem sente a necessidade de comemorar os eventos importantes em sua vida, como por exemplo, todos nós festejamos o nosso aniversário natalício, bem como os cristãos comemoram o nascimento de Cristo com o Natal e sua ressurreição com a Páscoa. Os nossos IIr Maçons não foram diferentes, sentiram a necessidade de comemorar a sua existência, então criaram uma data, que no Brasil comemora-se todos os anos no dia 20 de agosto e nos Estados Unidos da América dia 22 de fevereiro.
O dia 22 de fevereiro, conhecido como dia internacional do Maçom, é uma homenagem ao dia do nascimento do Ir George Washington, personagem principal da independência daquele país.
No Brasil escolheram o dia 20 de agosto em face ao papel da maçonaria na independência do Brasil. Ora, este autor não confundiu as datas, sabemos perfeitamente que a independência do Brasil é comemorada no mundo Prof dia 07 de setembro.
Todavia, existe documento histórico, para ser mais exato, o Bal da Sess Conjunta das LLoj “Comércio e Artes” e “União e Tranquilidade”, ambas do Or Rio de Janeiro, onde o Ir Gonçalves Lêdo proferiu um eloquente discurso em prol da independência do Brasil, sendo aprovado por unanimidade.
A data do Bal que aprovou a independência do Brasil foi o 20° dia do 6° mês maçônico do ano da V L de 5.822, interpretado como 20 de agosto de 1822 da E V. Após aprovado o Bal da referida Sess Extr foi expedido comunicado ao Ir Dom Pedro I e ao Sob Gr M Ir José Bonifácio, que estava ausente por motivo de viagem.
O acontecimento é fato irrefutável, comprovado pelo Bal gravado e assinado por quem de direito, que fizeram parte da história da maçonaria e do Brasil. No entanto, historiadores e maçons contestam a data, pois existe um erro ao traduzir o calendário Equinocial para o Gregoriano.
Sabe-se que o ano no calendário Equinocial começa no dia 21 de março, consequentemente traduz a data da referida Sess para 09 de setembro de 1822 do nosso atual calendário Gregoriano, pois este seria o 20° dia do 6° mês do calendário Equinocial.
Esse equívoco na data histórica não exclui a importância ou obrigação de comemorar o dia do Maç, pois o que comemoramos não é o discurso proferido pelo Ir Gonçalves Lêdo ou seus efeitos, mas, sim, a existência do Maç, neste caso no Brasil.
Aquele ato, que inspirou os nossos antepassados para escolherem a data, foi importante como várias outras ações que inúmeros IIr realizaram e ainda continuam realizando no anonimato ou não, em prol da humanidade e da nação brasileira. Mas, nada disso é possível se não aprendermos os princípios maçônicos que recebemos pelos Rituais e nas IInstr dentro e fora de Loj, ou seja, foi a Luz e a Verdade.
Diante disso, necessário se faz compreender o que é ser maçom, estudar as obras maçônicas e rituais para colocá-los em prática.
Logo, ser maçom é viver na Luz, conhecer e defender a Verdade, os princípios maçônicos e morais, sempre invocando o GADU e em constante defesa da Família, da Pátria e da Humanidade, combatendo os vícios, consequentemente tornando-se virtuoso para honrar a denominação de Maçom.
Apenas para melhor fundamentar o que já está exposto, citamos um trecho do nosso Ritual e Instr de Apr do REAEA do GOMG, p. 12: “(…) a Maçonaria proclama elevar o Homem aos seus próprios olhos e para torná-lo digno de sua missão sobre a Terra (…)”.
Parabéns a todos os IIr, livres e de bons costumes, especialmente os que buscam viver como verdadeiros MMaç, “levantando TT à virtude e cavando masmorras ao vício” para que sejam “Justos e Perfeitos”.


Bibliografias:

Revista Universo Maçonico

domingo, 29 de setembro de 2013

DIREITO DO CONSUMIDOR BANCÁRIO ( ALERTA CONSUMIDORES AOS SEUS DIREITOS)

DIREITO DO CONSUMIDOR BANCÁRIO

Por Vandeler Ferreira da Silva

As instituições financeiras possuem papel  importante no desenvolvimento e na sustentação econômica e produtiva de um país e, é natural que sejam fiscalizadas e reguladas por um sistema normativo que traga maior estabilidade e garantias aos agentes do mercado financeiro, notadamente ao consumidor leigo.

Isto sem descermos a detalhes históricos da figura dos Bancos e o que eles representaram para o mundo na evolução e no patrocínio de muitas causas, notadamente pelo financiamento e investimento em determinadas áreas de interesse geral.

No Brasil, especialmente a partir de 1986/87, quando o Banco do Brasil S/A deixou de movimentar a conta do Tesouro Nacional, e foi autorizado a ingressar no mercado bancário de forma mais abrangente, ocorreram importantes implementações de produtos novos no segmento financeiro, aos qual o público brasileiro ainda não tinha acesso facilitado.

Com a crescente impulsão e popularização do mercado financeiro, além dos produtos de renda fixa, cheque especial e poupança, surgem mais acentuadamente o cartão de crédito e débito, os seguros ficam mais popularizados, além do seguro de automóvel, ampliando-se o leque para seguro de vida, acidente pessoais e seguros residenciais. Também os produtos de aplicação em capitalização, bolsa de valores, além dos mecanismos de financiamentos e aplicações, se tornam mais automatizados, e trazem mais autonomia decisória da clientela em geral.

A partir de então, por exemplo, o cliente passou a retirar talões de cheques, contratar empréstimos, efetuar saques, investimentos e outras operações por intermédio direto de terminais eletrônicos, e em alguns casos, através de pedidos no sistema remoto do telefone ou rede de computadores.
Em 1990, com o advento do Código de Defesa do Consumidor, Lei 8.078, as Instituições Financeiras relutaram em compreender que estivessem também sob a égide desta Lei, no que tange as diretrizes, eventuais penalidades e condutas previstas, entendendo que deveriam ser reguladas pelo Banco Central do Brasil, autarquia federal responsável pela normatização e fiscalização do setor bancário.

No meio desta discussão, em 2002, o Superior Tribunal de Justiça define que as Administradoras de Cartões de Crédito ficam equiparadas as Instituições Financeiras para todos os efeitos legais, o que também se relacionava a questão da taxa de juros e outras que, corriqueiramente, eram, e continuam, sendo analisadas diariamente pelo Judiciário.
O fato é que, tornou-se pacífico o entendimento jurídico de que as Instituições Financeiras, inclusive as equiparadas, devem também se vincular e atender ao Código de Defesa do Consumidor, cumprindo as regras ali estabelecidas no fornecimento de seus produtos e na prestação de seus serviços.

No nível nacional é consolidado o entendimento de que as Instituições Financeiras, tal como outro fornecedor, é responsável pelo produto oferecido em suas “prateleiras”, em conjunção com os demais integrantes da rede de fornecimento. Assim, se determinado Banco oferece um seguro nas suas dependências ou sob seus auspícios, tanto através de seus empregados ou terceiros contratados para tanto, mesmo que o seguro vendido seja da Instituição vendedora, ou até de uma Seguradora externa, a responsabilidade sobre qualquer vício do produto é solidária, conforme prevê o CODECON no seu artigo 19, no que inclui o Banco que vende o produto.

Cabe lembrar quem é considerado Consumidor exatamente nos termos que assim define no Código, não importando se pessoa física ou jurídica:

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.

Destaque especial de que a figura do fornecedor também está disciplinada no Código, incluindo-se sem dúvida as Instituições Financeiras, conforme final que grifamos, no que se refere a distribuição, comercialização e prestação de serviços:

Art. 3°  Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços.

Ainda na seara dos serviços bancários, teremos diversificadas vertentes a serem apreciadas, dadas a profusão e criatividade positiva de produtos que surgem diariamente na área financeira.

No entanto, sendo o “dinheiro” a matéria prima dos Bancos, em particular a discussão que se impõe é aquela que diz respeito à taxa de juros. E neste particular, conforme mudança constitucional havida em maio de 2003, a cobrança de juros bancários não tem um limite específico, devendo apenas sopesar eventual abusividade. Cabe ressaltar que o chamado anatocismo, ou a capitalização de juros, em muito vem sendo refutado pelo Judiciário nacional, que compreende como não cabível.

Outra questão que tem apresentado muito questionamento e discussão  é quanto os aspectos de segurança e clareza da informação ao consumidor, bem como eventual indução a contratação indevida de serviços. Isto porque, o artigo 6º. Define que são direitos básicos do consumidor, dentre outros:

Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
I – a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;
II – a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;
III – a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;

IV – a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;
V – a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;

VI – a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;

VII – o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;

VIII – a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;

IX – a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

Quanto à propaganda enganosa, indução a erro, bem como as eventuais contratações “casadas” (operações que obrigam o consumidor a contratar outro produto simultaneamente), são objeto nos artigos 37 Parágrafos Primeiro/Terceiro, e 39 especialmente nos Incisos de I a V.

Ressaltem-se estes artigos porque pela automação disponível, seja no terminal bancário que oferece dezenas de opções, seja via sistema telefônico ou Internet, cada vez mais as Instituições Financeiras necessitam ampliar o rol de informações, exatamente para que tenha clareza cristalina as normas, os direitos e deveres vinculados a determinado produto ou serviço oferecido.
Também na preocupação de oferecer melhor serviço, as Instituições Financeiras devem buscar, cotidianamente, qualificar seus sistemas e dispositivos de segurança nas diversas frentes de negócio, visto que, apesar da minimização de custos na área de recursos humanos pela automação crescente, devem ser realocados em investimentos, principalmente na fácil visualização, compreensão e acesso ao serviço, bem como nos instrumentos de segurança das ofertas automatizadas, tanto para maior qualidade na prestação dos serviços quanto menor número de litígios, o que certamente resultará na expressividade e aceitação da Instituição Financeira no mercado.
Leia também:
Referências Bibliográficas:
Brasil. Lei 8078 de 11 de setembro de 1990 – Código de Defesa do Consumidor.
Banco Central do Brasil – Endereço eletrônico – www.bcb.gov.br
Superior Tribunal de Justiça – Endereço eletrônico – www.stj.gov.br


domingo, 10 de abril de 2011

Wikileaks, uma reflexão..........


Wikileaks, uma reflexão...
Reflexões sobre o Wikileaks, Spycatcher e Freedom of the Press - discurso proferido na Faculdade de Direito da Universidade de Sydney em 31 de Março de 2011
Malcolm Turnbull, Deputado Federal na Austrália


Tradução José Antonio de Souza Filardo
220 anos atrás, os Estados Unidos da América ratificaram a Bill of Rights, cuja cláusula mais influente é a Primeira Emenda:

"O Congresso não fará qualquer lei relacionada com o estabelecimento da religião, ou proibindo o livre exercício dela; ou cerceando a liberdade de expressão ou de imprensa; ou o direito do povo de se reunir pacificamente e de dirigir petições ao Governo para a reparação de injustiças. "


Desde então, na América e em todas as outras sociedades inspirado por um ideal de liberdade, incluindo a nossa, tem havido uma competição entre os governos que desejam manter suas atividades secretas e aqueles entre os seus cidadãos que desejam saber o que eles estão fazendo.

Tem sido sempre assim. E quando as sociedades estão ameaçadas pela guerra ou outras ameaças, as liberdades civis em geral, e a liberdade de expressão em particular, estão sempre sob ameaça ou constrangimento.

A este aniversário, talvez devessemos acrescentar uma outra pendência. Em Setembro deste ano, será completada uma década desde que as Torres Gêmeas foram derrubadas por terroristas da Al-Qaeda e que tem sido descrito como o dia em que a Guerra contra o terror realmente começou.

E assim, antes de nos voltarmos ao caso de Julian Assange, Spycatcher e o papel da Internet - vale a pena refletir que a causa que defendemos e pela qual, se for preciso, lutamos é a liberdade.

Em 1986, Lucy e eu representamos um ex-funcionário do MI5, Peter Wright, em seus esforços para publicar suas memórias "Spycatcher".

Margaret Thatcher, então Primeiro Ministro da Grã-Bretanha, estava determinada que nenhum ex-funcionário do MI5 pudesse escrever sobre o seu trabalho independentemente de as informações ainda fossem confidenciais, tivesse impacto sobre operações em curso, ou fosse de qualquer outra forma em detrimento dos serviços de inteligência.
Embora seja verdade que algumas das melhores mentes jurídicas da época tivessem avisado os editores de Wright de que ele não tinha qualquer esperança de sucesso, sempre pensei que o velho fantasma que virou criador de cavalos da Tasmânia, teria sucesso.

Isso foi por causa de uma decisão do Tribunal Superior da Austrália em 1980, a Commonwealth vs. Fairfax, na qual Sir Anthony Mason tinha sustentado que um governo só poderia restringir a divulgação de informações confidenciais, se pudesse estabelecer que a informação ainda era secreta e, mais importante, que sua publicação pudesse provocar não apenas um constrangimento, debate público e controvérsia .

"É inaceitável na nossa sociedade democrática que deva existir restrição à publicação de informações relativas ao governo, quando o único vício daquela informação é que ela permite que o público discuta, analise e critique a ação do governo."

Foi também uma parte fundamental de nossa jurisprudência que um tribunal não restringsse a publicação de confidências, se a sua divulgação pudesse revelar a prática de crimes e atos ilícitos.

Vale lembrar também, neste contexto, as palavras do Desembargador do Supremo Tribunal dos EUA Black no caso dos Papéis do Pentágono:

"A guarda de segredos militares e diplomáticos, às expensas do governo representativo informado não oferece qualquer garantia real para nossa República. Os autores da Primeira Emenda, plenamente conscientes tanto da necessidade de defender uma nação nova quando dos abusos dos governos inglês e colonial, procuraram a esta nova sociedade a força e a segurança, prevendo que a liberdade de expressão, de imprensa, de religião e de reunião não pudesse ser restringida. "

O Spycatcher preencheu todos os requisitos em Commonwealth vs. Fairfax. O conteúdo tinha pelo menos 20 anos de idade e não tinha qualquer relevância para operações atuais. Quase todo ele tinha sido publicado anteriormente.

Não obstante isso, o Governo britânico tinha obtido facilmente uma ação cautelar, com base em quebra de confiança. Nosso argumento principal era que nada havia no livro que tivesse mais a qualidade necessária de confiança e, provavelmente, o documento mais importante no caso foi de um pesado volume chamados de elementos consolidados de domínio público provou, linha por linha, que nada havia, absolutamente, no livro que não tivesse sido publicado em outro lugar.

As informações contidas em Spycatcher tinham sido, de fato, fornecidas alguns anos antes por Wright a Chapman Pincher para seus livros "O comércio deles é Traição" e "Secreto Demais, por Tempo Demais" num acordo intermediado por Lord Victor Rothschild com a ajuda do MI6 e conhecimento prévio do MI5.

Também argumentamos que o livro revelava o cometimento de crimes e outros delitos.
Movendo-nos para um campo mais esotérico, sustentamos que Wright não tinha uma relação de emprego com o MI5 e, consequentemente, dever de confiança, porque ele era um funcionário da coroa - uma criatura de status (como um soldado) e não contrato.
E na medida em que os britânicos estavam tentando indiretamente fazer valer suas obrigações ao abrigo da Lei de Segredos Oficiais, que era claramente insustentável como um esforço para fazer valer o direito público de outro país em um tribunal australiano.

Devo observar que este argumento sobre o direito internacional público recebeu pouca atenção no julgamento que enfocou devidamente os fatos, um pouco mais no Tribunal de Recurso, mas foi adequado no Supremo Tribunal onde ele foi a base de dois pareceres negando provimento ao recurso do Governo britânico.

O Supremo Tribunal foi muito claro ao declarar que um tribunal australiano não devia agir "para proteger os segredos de inteligência e informações políticas confidenciais" de um governo estrangeiro, mesmo de um que era muito amigável e até mesmo em circunstâncias em que o governo australiano pedisse ao Tribunal que o fizesse.

Insisto neste ponto, porque ele tem uma relevância atual para o caso de Julian Assange a quem - vocês se lembrarão - nossa primeira-ministra, Julia Gillard, descreveu como alguém que tinha violado a lei ao publicar o conteúdo de informações confidenciais americanas em telegramas do Departamento de Estado.

Não só era perfeitamente óbvio que Julian Assange não tinha violado qualquer lei australiana (e apesar do grande esforço das autoridades americanas não há nenhuma evidência até o momento de que ele violou leis americanas), mas a decisão do Supremo Tribunal no caso Spycatcher deixa bem claro que qualquer ação em um tribunal australiano de impedir Assange de publicar os telegramas do Departamento de Estado teria falhado.

Estas declarações da Primeira-Ministra, que foram repetidos pelo seu Procurador-Geral foram particularmente lamentáveis, e não simplesmente porque ela estava tão obviamente errada do ponto de vista jurídico, mas não importa que se possa pensar de Assange, ele é um cidadão australiano.

Talvez mais importante, no momento em que estava sendo descrito como violando a lei pela Sra. Gillard, destacados políticos e jornalistas americanos o estavam descrevendo como um terrorista e, em alguns casos, pedindo que ele fosse assassinado.
Sarah Palin, possivelmente o próximo presidente dos EUA, pediu que ele fosse perseguido "com a mesma urgência com que buscamos a Al-Qaeda e os líderes do Taleban". Sem dúvida, seus partidários podiam ler o que eles gostavam naquela observação.

Embora Assange esteja, sem dúvida, bastante seguro contra assassinato, quando um cidadão australiano está ameaçado desta forma, um Primeiro-Ministro australiano deveria responder.

Julia Gillard poderia ter muito apropriadamente ter lamentado sua publicação de informações confidenciais, simpatizado com nossos aliados americanos envergonhados; mas, ao mesmo tempo registrado nossa profunda infelicidade que um cidadão australiano esteja sendo ameaçado dessa forma por figuras de destaque em outro país, cujo compromisso com a liberdade de expressão e o Estado de direito nós tradicionalmente vemos como sendo nada menos do que o nosso.

Ela poderia, até mesmo, ter-se dado o trabalho de perguntar como, diabos, as medidas de segurança dos Estados Unidos eram tão frouxas que centenas de milhares de documentos altamente confidenciais pudessemser copiados para um disco por um jovem de 23 anos, soldado do Exército dos EUA, Bradley Manning.

Afinal de contas, que não haja erro que Assange não teria sido objeto desse tipo de ataque se ele fosse americano e muito menos um jornalista americano. Você consegue imaginar um dos funcionários do Sr. Rupert Murdoch na Fox News pedindo o assassinato de um editor do Washington Post ou do New York Times, ou mesmo de qualquer cidadão dos EUA?

E se os telegramas do Departamento de Estado Americano tivessem sido publicados pelo Wall Street Journal ou pela própria Fox News? Podemos imaginar que o congressista Pete King, então presidente da entrada do Comitê de Segurança Interna, teria pedido que a News Corporation fosse declarada uma organização terrorista estrangeira ou comparado o Sr. Murdoch a Osama bin Laden.

E o que dizer da Primeira-ministra Gillard? Ela estava mais que feliz em acusar Assange de agir ilegalmente, mas eu não a ouvi descrever os editores de The Age e do Sydney Morning Herald nesses termos, quando eles publicaram o conteúdo dos telegramas do Departamento de Estado fornecido a eles por Wikileaks.
É fácil para os políticos em meio a um frenesi de mídia pulassem para o palanque e competissem paraa denunciar o vilão da hora, especialmente se ele ou ela é vista como vulnerável ou lhe falta poder.

Mas a liderança, e em particular a liderança nacional, exige cabeças mais frias.
A conduta de Assange pode ser equivocada, até mesmo condenável, mas nenhum Primeiro-Ministro australiano deveria acusar um de seus próprios cidadãos de infringir a lei quando não houve sequer uma acusação e muito menos uma condenação.
É uma pena que o comentário, tanto político quanto jornalístico, não manteve o nível de abordagem assumido por Robert Gates, secretário de Defesa, que responderam à liberação dos telegramas, descrevendo a descrição do vazamento como "colapso ou alterador de jogo" como sendo "significativamente exagerado.

O secretário Gates observou:

"Muitos governos - alguns governos lidam conosco porque têm medo de nós, alguns porque nos respeitam e a maioria porque precisam de nós. Somos ainda essencialmente, como já foi dito antes, a nação indispensável. Então, outras nações continuarão a tratar conosco. Eles continuarão a trabalhar conosco. Continuaremos a compartilhar informações sigilosas entre nós. Isso é constrangedor? Sim. É estranho? Sim".
Representando Peter Wright todos estes anos, procuramos em vão em Whitehall uma cabeça sensata, e fria como a do secretário Gates. Afinal, Wright era um homem velho e doente e queríamos ter seu livro publicado e evitar a todo custo os atrasos e as tensões de um longo julgamento.

A resposta óbvia para o Governo britânico teria sido divulgar amplamente as informações consolidadas de domínio público e dizer: "É um monte de velharias - ficaremos de olho nela nas seção de restos!"

Mas, ao invés disso, eles decidiram fazer de Wright um mártir e travar uma furiosa batalha jurídica não apenas na Austrália (onde vivia Wright), mas em todo o mundo fazendo Wright parecer bobo e tornando-o muito rico.

Em um esforço para ter o livro publicado antes de um julgamento, até oferecemos ao MI5 a possiblidade de vetos, para que, se houvesse alguma matéria de impacto sobre as operações em curso, ela pudesse ser extirpada. Eles se recusaram a cooperar - era tudo ou nada.

Embora a reação exagerada do governo britânico a Peter Wright seja ecoada na reação dos americanos a Assange - e com o mesmo resultado contraproducente, deve-se dizer que a natureza do material que Wright tentou publicar era muito diferente da revelações de Wikileaks.

O material de Wright era muito velho e não poderia impactar operações em curso. Era, em todos os sentidos, material para a história.
O material publicado pela Wikileaks é muito atual. Muito dele é muito sensível. Vale a pena examiná-lo em maior detalhe.

O WikiLeaks abriu suas portas virtuais como um site para publicação de segredos do governo em 2006, mas ele não se tornou muito importante até abril de 2010, com o lançamento de um polêmico vídeo do Exército dos EUA, que ficou conhecido como o vídeo de "assassinato colaterais". Ele mostrava dois helicópteros Apache disparando contra um grupo de pessoas no Iraque. Entre os mortos estava um fotógrafo e um motorista contratados pela Reuters.

Este foi aparentemente o primeiro dos materiais fornecidos ao Wikileaks pelo Soldado Manning.

Assange tinha usado anteriormente o Wikileaks como uma câmara de compensação discreta - recebendo informações e as publicando. Nesta ocasião, ele começou a prática de liberar o material em colaboração com a midia estabelecida mídia estabelecida, que desde então incluiu o New York Times, The Guardian, Le Monde, Der Spiegel e Fairfax, na Austrália, entre outros.

O vídeo original do Exército tinha cerca de quarenta minutos de comprimento e Assange o editou para torna-lo, disse ele, mais compreensível. Escusado será dizer que a edição foi controvertida. Mas, ela indicou que ele estava fazendo mais do que simplesmente deixar o sol entrar - ele estava adicionando interpretação à revelação.
Em julho do ano passado, o Wikileaks obteve e posteriormente publicou os Registris de Guerra do Afeganistão, cerca de 92 mil relatórios do Exército dos EUA dos campos de batalha do Afeganistão entre 2004 e 2009. Ele coordenou o lançamento com os principais jornais, e deve ser dito que cada jornal abordou o lançamento e a análise dos documentos de forma diferente. Os aspectos mais referidos eram as alegadas provas que vítimas civis eram muito maiores do que o informado pelo governo dos EUA e que o Serviço de Inteligência do Paquistão estava ajudando ativamente elementos do Talibã. Nenhuma revelação, no entanto, veio como uma surpresa.

É interessante notar aqui que muitas pessoas, inclusive eu mesmo, manifestou grande preocupação que estes relatórios pudessem comprometer operações atuais e colocar vidas em risco - especialmente as daqueles ajudando os Estados Unidos. Essa ansiedade é relevante para todas as revelações do Wikileaks e é particularmente o caso quando uma grande quantidade de material documental é liberada de uma só vez.

Com a maior boa-vontade do mundo, como pode tanto material ser editado com segurança para garantir que vidas não sejam colocadas em risco, ou até mesmo com nomes excluídos que se pode dizer, sentado em um escritório em Londres ou em Paris que não existe informação suficiente em um telegrama ou relatório de campo de batalha para permitir que nossos inimigos identifiquem um indivíduo e depois o mate?
No entanto, deve notar-se que em Outubro de 2010, o Secretário Gates respondeu a um inquérito parlamentar, afirmando que a revisão dos vazamentos "não tinha revelado qualquer fontes de inteligência e métodos sensíveis comprometidos pela divulgação." [1]

Em Outubro, o Wikileaks liberou 400.000 relatórios de campo de batalha da guerra do Iraque, de teor semelhante àqueles anteriormente liberados sobre o Afganistão.
Diferentes jornais enfatizaram diferentes aspectos dos relatórios; o Yochai Benkler de Harvard, resume o impacto desta forma "os fatos fundamentais estabelecidos pelos relatórios foram aprovados: Baixas de civis iraquianos foram superiores aos relatados anteriormente; os militares dos EUA estava bem cientes de que a polícia e os militares do Iraque estavam sistematicamente torturando prisioneiros e, embora unidades discretas interviessem para por termo a estas localmente, não houve um esforço sistemático para interromper a prática ".
[2]
A revelação mais polêmicas estava por vir em Novembro, com o primeiro lançamento de alguns dos 250 mil telegramas do Departamento de Estado. Mais uma vez, Assange trabalhou com a grande mídia para liberar o material e, geralmente, não publicou telegramas em seu site até que tivessem sido publicados, muitas vezes em um formato editado, pelos próprios jornais.

Cada um dos jornais aplicou seu próprio julgamento jornalístico aos materiais, e como Bill Keller, editor do New York Times descreveu, muitas vezes chegaram a diferentes interpretações e conclusões [3] .
Eles procuraram e obtiveram pareceres do Departamento de Estado dos EUA sobre os telegramas, com vistas a assegurar que operações de inteligência atuais não fossem comprometidas e que vidas não fossem colocadas em risco. Quando o Wikileaks procurou obter conselhos semelhantes sobre o conteúdo dos telegramas - na verdade solicitando uma edição - eles foram repelidos.

Quando o WikiLeaks se aproximou da Administração, eles responderam com uma carta do consultor jurídico do departamento, Harold Koh, que afirmava que eles não participarian de qualquer negociação sobre a liberação de material classificado do Governo Americano obtido ilegalmente e exigiam que eles não publicassem nada. [4] Ao fazer isso, o governo estava tentando colocar Assange em um quadro jurídico inteiramente diferente do que as organizações de mídia comuns com as quais ele tinha tantas vezes cooperado.

Quão prejudicial foi a liberação dos telegramas? A vergonha, o embaraço de tudo, deve ter sido absolutamente insuportável. A idéia de que a maior potência que o mundo já conheceu poder ter os seus segredos diplomáticos roubado por um soldado do exército cuja única história para trazer um CD para o trabalho era que ele estava ouvindo Lady GaGa é tão humilhante, que até mesmo os menos simpatizantes com nosso grande e poderoso amigo devem ter ficado com dó ... enquanto rapidamente providenciavam a revisão de seus protocolos de segurança de TI.
Mas e quanto ao conteúdo? Bem, o melhor comentário geral foi feita por Gideon Rachman, que observou que o maior segredo de tudo era simplesmente como relamente pragmática, provida de princípios e inteligente é a política externa americana.
Que o governo norte-americano declare publicamente a sua posição como, geralmente, a mesma a posição que eles tomam privadamente, certamente deve ter sido uma surpresa agradável senão bem-vinda para muitos, incluindo, sem dúvida, o próprio Assange. [5]

Parece-me que se pode dizer que o conteúdo do material se enquadra em pelo menos três grupos. O mais importante é que o que realmente compromete as operações atuais de inteligência e/ou coloca em risco a vida daqueles que ajudam os Estados Unidos especialmente na luta contínua com o terrorismo fundamentalista islâmico. Este tipo de material, evidentemente, não deve ser publicado.
Os jornais envolvidos na colaboração com o Wikileaks alegam que eles não o fizeram e até agora, sujeitos ao que se segue, não vi nenhuma evidência de que isso tenha ocorrido; mas, conforme observado anteriormente a dimensão da divulgação e da quase impossibilidade de edição cuidadosa e redação dele deveria dar a todos nós motivo para dúvidas muito sérias.

Há dois telegramas que foram citados como ameaças reais à segurança nacional e que sublinham minhas dúvidas. Um, de fevereiro 2009, listava determinados elementos de infraestrutura, tanto públicas quanto privadas, cuja interrupção prejudicaria os interesses dos EUA. Obviamente, isso seria de interesse para os inimigos da América, embora se era nova, ou se a caracterização era exata seja outra questão. Um segundo foi um telegrama que indicava que Morgan Tsvangirai tinha privadamente apoiado as sanções contra o Zimbabué como um meio de forçar Mugabe a se demitir. Este foi imediatamente utilizado contra Tsvangirai por Mugabe como uma possível base para uma acusação de traição. É óbvio que nenhum dos dois telegramas deveria ter sido publicado.

Uma segunda categoria é o material que é, na frase memorável de meu sogro, um "vislumbre penetrante do óbvio". É divertido ler os relatos de um embaixador de que o primeiro-ministro italiano gosta demais de moças, ou que o ditador líbio tem uma enfermeira ucraniana voluptuosa, mas dificilmente é notícia.

As revelações sobre os MPS trabalhistas prontos a derrubar Kevin Rudd também se enquadram nesta categoria. Não é novidade ler um relato de um embaixador norte-americano sobre corrupção oficial no México - embora se deva reconhecer que o constrangimento causado por este telegrama, verdadeiro ou não, resultou em um diplomata muito competente ter sido obrigado a voltar a Washington.

Uma terceira categoria é o material que é diplomática e politicamente sensível e é definitivamente mais do tipo que um Governo não quereria publicado, mas que nenhum tribunal provavelmente proibiria. Estes incluem diplomatas americanos instruídos a espionar seus colegas da ONU; Príncipes Saudis exortando os americanos a atacar o Irã; a corrupção dos diferentes regimes, incluindo uma série de países árabes onde se diz que o conteúdo dos telegramas ajudou a inspirar as insurreições populares que depuseram os governos da Tunísia e do Egipto e que estão atualmente lutando para derrubar o regime na Líbia.

O teste para a censura prévia à publicação de segredos do governo é alta, tanto aqui quanto nos Estados Unidos, embora seja justo dizer que ela é mais desenvolvida na América, onde eles têm mais segredos e mais jornalistas.

No caso dos Papéis do Pentágono, o Desembargador Stewart da Suprema Corte expressou que o teste era se a publicação deve "certamente resultar em dano direto, imediato e irreparável para a nossa Nação e seu povo." Isto decorreu do caso de Near vs. Minnesota onde o Tribunal citou como exemplo de material que seria restringido como sendo "as datas de partida dos transportes ou o número e a localização de tropas."

Pode ser que o telegrama sobre infraestrutura a que me referi anteriormente teria sido capturado por esse teste, mas eu suspeito que aquele sobre o Sr. Tsvangirai não o seria - por mais lamentável que sua publicação possa ter sido.
Tratar direito a saga do Wikileaks é a questão de saber se Julian Assange e o Wikileaks representam jornalismo. Alguns argumentaram que eles não têm direito à liberdade de imprensa garantida na Primeira Emenda, e muitos têm ido longe para tentar diferenciar Assange dos jornais que foram seus colaboradores na publicação do material.

E ninguém mais do que os próprios jornais. Em artigos publicados no New York Times e no The Guardian, explicando as experiências do jornal com Assange, ambos editores buscaram se distanciar de Assange e do WikiLeaks, explicitamente declarando que eles viam Assange como uma fonte e que lutariam para chamar o que ele fez de jornalismo. Escusado será dizer que as relações entre o Wikileaks e estes jornais está esvaziada.

Mas há uma diferença? O que significa "liberdade de imprensa" na era da Internet? Quando a Primeira Emenda foi ratificada, liberdade de imprensa significava a liberdade de panfletário, liberdade de cartazes com circulações medidas em centenas, se tivessem sorte.

Agora, qualquer um pode criar seu próprio blog na Internet e milhões de pessoas têm feito isso. Na verdade, você não precisa ir tão longe quanto isso - aqueles de nós que usam o Twitter estamos publicando, em muitos casos, a públicos extremamente grandes - as ruminações de Justin Bieber e Lady GaGa são lidas por milhões de pessoas (não mais pelo Soldado Manning, infelizmente).

Nos últimos anos, a tecnologia tinha feito da mídia um clube fechado. Você precisava de muito capital para publicar um jornal, você precisa de uma licença para ser uma empresa de radiodifusão. Havia barreiras consideráveis ​​à entrada no mercado de mídia.

A tecnologia de hoje demoliu essas barreiras. O Facebook e o Google entre si atingem bilhões de pessoas todos os dias - muito mais que qualquer barão da imprensa jamais poderia ter sonhado em ter como público. É a liberdade deles seja menos digna de proteção numa sociedade livre que o Sydney Morning Herald ou o Daily Telegraph?
E se assim fosse, isso significaria que se eu escrever uma opiniãoem minha página no Facebook ou no Twitter, ela é menos protegida do que se eu a escrevesse em uma carta a um jornal ou a imprimisse como um panfleto e a distribuísse a pessoa em pontos de ônibus?

A verdade é que a mídia deixou de ser uma loja fechada para ser um dos negócios mais vulneráveis ​​imagináveis. Rupert Murdoch estava sem dúvida pensando em várias de suas próprias propriedades, quando ele disse que a Internet destruirá mais negócios lucrativos do que ela criará.

O termo cidadão jornalista é frequentemente usado, mas em certo sentido todos nós que expressamos nossa opinião para outros lerem, e que é, provavelmente, o caso de todo esse público, estão fazendo a mesma coisa que os jornalistas fazem, mas geralmente sem pagamento. (Jornalistas diriam que o que eles fazem é por pouco pagamento, mas isso é outra história.)

Tem havido tentativas de articular um processo criminal contra Assange nos Estados Unidos com base no argumento de que ele conspirou com ou de outra forma induziu Bradley Manning a cometer o que, em seu caso, era sem dúvida, um crime. Nenhuma acusação foi feita e toda evidência de que dispomos (e que consiste em admissões online e uma sala de bate-papo pelo próprio Manning) sugere que sua transmissão dos materiais ao Wikileaks foi inteiramente de sua própria vontade.

Os motivos de Assange são relevantes? Eu não acredito que sejam muito, se é que são, relevante juridicamente. Se boas intenções não são defesa - um jornalista que coloca escutas no telefone de um político para encontrar provas de corrupção ainda assim está violando a lei - eu não posso ver como maus motivos (um rancor pessoal) seriam pertinentes, com excepção a não ser no contexto de dolo em um caso de difamação .

Os motivos de Assange são muito relevantes, no entanto, de um ponto de vista político e moral.

Daniel Ellsberg vazou os Papéis do Pentágono, a fim de expor a enganação do Governo dos EUA sobre a Guerra do Vietnã e, com isso, destruiu sua própria carreira.
Ellsberg estava absolutamente ciente dos riscos ao liberar as informações, e sabia muito bem o significado do material que ele tinha, tendo o cuidado de não divulgar qualquer documento que pudesse revelar os esforços diplomáticos em curso para negociar um fim do conflito. [6] Ellsberg entendeu que alguns documentos deveriam, pelo menos por um período de tempo, permanecer em segredo. Ele também levou um tempo considerável pelos padrões de hoje para encontrar uma fonte confiável e adequada para que ele finalmente liberasse a informação.

Os motivos de Julian Assange não são tão claros. De acordo com Assange, "há uma questão de que qual tipo de informação é importante no mundo, que tipo de informação pode realizar a reforma. E há muita informação. Assim, as informações que as organizações estão fazendo esforço econômico para esconder, isso é um bom sinal de que quando a informação sair, há uma esperança de ela esteja fazendo algum bem. " [7]

Há mais que um toque do anarquismo quando Assange diz: "A verdade não precisa de um objetivo político" [8] - um comentário um pouco hipócrita quando se considera como se tornaram secretas as da Wikileaks. Na verdade, assim como os governos apontam para seus inimigos para justificar seu segredo, também Assange aponta para seus inimigos para justificar a falta de transparência de sua própria organização.
Aqueles determinados a lidar de forma abrupta com Assange podem refletir que seu sucesso gerou muitos imitadores de organizações da mídia tradicional como a Al Jazeera, (cuja publicação dos "Papéis Palestinos" adicionou combustível às revoltas no mundo árabe), e o New York Times a ONGs ativistas, assim como antigos funcionários do Wikileaks.

A capacidade da Internet de publicar instantaneamente uma vasta quantidade de material de uma forma que é praticamente impossível impedir a torna o meio perfeito para alguém determinado a divulgar essas coisas que outros querem manter em segredo.
E esta é uma lição fundamental para os governos aprender. Uma vez que a informação tenha saído do seu sistema seguro, ela raramente poderá ser recuperada, pois com o clique de um dedo, de um laptop ou um smartphone ou de um Internet café ela pode ser publicada para o mundo. O mundo da informação tornou-se binário - secreto em um segundo, universalmente disponível no próximo.

Então, o que estamos a fazer de Assange e seu site? Bem, creio ter deixado claro que, apesar de eu não o consider um criminoso, também não posso considerá-lo um herói. A inépcia dos seus detratores lhe deu glória maior e importância do que ele merecia, precisamente da mesma maneira que o ferro de Margaret Thatcher fará de Spycatcher um best-seller mundial. Melhor nestes casos é entrar no jogo, como fez o secretário Gates.

Haverá um impacto de médio prazo sobre a franqueza com que as pessoas falam com as autoridades americanas. Francamente, se eu fosse um cidadão americano, estaria menos indignado com Assange do que eu estaria com um Governo que pode permitir tamanha violação de segurança. Os Estados Unidos terão de demonstrar que mudaram seus modos, e isso não é tão difícil. A maioria das grandes organizações não permitirá o download de material para um meio externo, sem autorização expressa, conforme aqueles entre vocês que trabalham para as grandes empresas já devem saber.
E escusado será dizer que se um jovem Soldado pode copiar tanto material classificado por sua vontade própria, quão vulneráveis ​​são os sistemas americanos a operadores mais sofisticados, que tenham o respaldo e apoio técnico prestados por agências de inteligência estrangeiras.

Ficaremos para sempre, imagino eu, justamente irritados com a imprudência de receber e publicar tanto material confidencial. Até agora, parece que menos mal foi feito do que poderia ter sido o caso, mas os riscos são extraordinários e se apenas uma vida foi perdida; se apenas uma operação sensível foi comprometida, então a pesada responsabilidade deve caber a Assange.
Gostaria de ter a esperança de que as revelações no futuro sejam mais seletivas, mas é difícil de ser confiante.

A lição para os governos, além de melhorar a sua segurança, é assumir que tudo que é dito ou escrito, mais cedo ou mais tarde, verá a luz do dia. Isso pode não ser uma coisa boa, e certamente não torna a vida mais fácil, mas é, receio, uma realidade.
Os Governos, com mais a temer da divulgação são aqueles cujas declarações públicas estão em desacordo com as suas opiniões privadas - e, como disse anteriormente, até agora, parece, em seu favor, que os telegramas do Departamento de Estado dos EUA têm sido coerente com suas políticas públicas .

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NOTAS:


[1] Benkler “ A Free Irresponsible Press” forthcoming in Harvard Civil Rights – Civil Liberties Review p. 11
[2] Ibid at 12
[3] Bill, Keller, The Times’s Dealings With Julian Assange, New York Times,http://www.nytimes.com/2011/01/30/magazine/30Wikileaks-t.html
[4] Benkler, p.13.
[5] Gideon Rachman, America Should Give Assange a Medal, Financial Times,http://www.ft.com/cms/s/0/61f8fab0-06f3-11e0-8c29-00144feabdc0,s01=1.html#axzz1HxhrwLNg
[6] Christian Caryl, New York Review of Books, Why WikiLeaks Changes Everything,http://www.nybooks.com/articles/archives/2011/jan/13/why-wikileaks-changes-everything/
[7] Julian Assange, TED, Why the World Needs WikiLeaks,http://www.ted.com/talks/julian_assange_why_the_world_needs_wikileaks.html
[8] WikiLeaks, This Time It’s Different, The Economist,http://www.economist.com/node/17361416

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Publicado em: 1º de abril de 2011 em http://www.malcolmturnbull.com.au/blogs/malcolms-blog/reflections-on-wikileaks-spycatcher-and-freedom-of-the-press-speech-given-to-sydney-university-law-school/

Outras Fontes: http://zekadesouza.blogspot.com/2011/04/wikileaks-uma-reflexao_02.html

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

STJ decide suspender processos sobre bebida ao volante


O STJ (Superior Tribunal de Justiça) suspendeu por tempo indeterminado todos os processos em segunda instância que questionam as provas obtidas para condenar um motorista por dirigir bêbado.

A medida foi adotada após duas decisões opostas terem sido tomadas por duas turmas do próprio tribunal.

Em outubro, a 6ª turma decidiu trancar uma ação penal contra um motorista de São Paulo que se recusou a se submeter ao bafômetro.

Os ministros entenderam, na ocasião, que não havia como provar que ele havia violado a legislação.

Como a Lei Seca determina uma quantidade específica de álcool para caracterizar o crime (seis decigramas de álcool por litro de ar expelido dos pulmões), o teste foi considerado imprescindível.

A legislação anterior não citava uma quantidade específica de álcool para a configuração de crime, falava apenas em dirigir "sob a influência de álcool" e expor uma outra pessoa a risco.

Já em dezembro, a 5ª turma do STJ, com outra composição de ministros, decidiu o contrário e negou habeas corpus a um motorista do Rio Grande do Sul que se recusou a passar pelo bafômetro, mas teve a embriaguez constatada em exame clínico.

Segundo o perito que o examinou, ele tinha "vestes em desalinho", "discurso arrastado", "hálito alcoólico", "marcha titubeante", "reflexo lento" e "coordenação muscular perturbada".

Para uniformizar o entendimento, o STJ decidiu que caberá agora à 3ª seção, que tem ministros das duas turmas, decidir sobre o tema, em um caso específico no Distrito Federal com data ainda indefinida.

Levantamento publicado pela Folha em setembro do ano passado, feito na Justiça estadual do país inteiro, mostrou que 80% dos motoristas que se recusaram a passar pelo bafômetro ou fazer exame de sangue acabaram sendo absolvidos por falta de provas.

Fonte:Folha.com

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A PRUDÊNCIA E A TOLERÂNCIA


A PRUDÊNCIA E A TOLERÂNCIA


A prudência e a tolerância são de certa forma duas faces de uma mesma moeda, dentro de um plano maior que podemos chamar de bom-senso.

O BUDDHA nos ensinou sobre o caminho do meio (é baseado na moderação e na harmonia, sem cair em extremos), uma forma de bom-senso, resguardada as devidas proporções.
Cada civilização tem sua forma de pensar, suas representações culturais; sua forma de interagir com a transcendência e a divindade; toda civilização tem sua mitologia de criação do mundo, seus deuses e deusas; cada período civilizatório, de certa forma, reproduz, e mesmo, se desenvolve sob certos parâmetros de outras sociedades, num processo que envolve admiração e afinidade.

Como todas as sociedades se regulam e operam, pergunta-se um ou mais irmãos? Quase são as bases e referências dessas sociedades? Como se manifestam e interagem os seus participantes, sejam estrangeiros, escravos ou cidadãos? Como fundamentaram os seus Estados e Governos? O que é o chamado bem-comum? Qual é a noção de bem e do mal das civilizações? O que é a moral e costumes desejáveis para cada civilização? O que é Justiça? Como sancionar as pessoas, que deixaram de cumprir o acordo social, seja tácito ou nomeado? As regras sociais são, em verdade, teológicas ou seculares? Tantas indagações e questões de suma importância para entendermos a caminhada da Humanidade, a história que os homens de todas as épocas escreveram e escrevem em sua contemporaneidade.

Cada processo civilizatório tem suas referências, seus princípios e valores, que são os parâmetros subjetivos para suas ações, sejam elas estruturais ou cotidianas.
Nossa civilização é classificada como civilização judaico-cristã, devido as nossas referências oriundas do povo hebreu, a figura central do Cristo e a Igreja Cristã, fundamento de nosso Direito e padrões de comportamento, como é o caso dos dez mandamentos. O Cristianismo e a Igreja Católica adotaram princípios filosóficos gregos para se desenvolver e um dos resultados são as virtudes cardinais.

Segundo a Igreja Católica Apostólica Romana existem quatro virtudes cardinais[1] (ou virtudes cardeais) que polarizam todas as ou¬tras virtudes humanas. O conceito teológico destas quatro virtudes foi derivado inicialmente do esquema de Platão e adaptado por Santo Ambrósio de Milão, Santo Agostinho de Hipona e São Tomás de Aquino.

Segundo a Doutrina da Igreja Católica, elas "são perfeições habituais e estáveis da inteligência e da vontade humanas, que regulam os nossos actos, ordenam as nossas paixões e guiam a nossa conduta segundo a razão e a fé. Adquiridas e reforçadas por actos moralmente bons e repetidos, são purificadas e elevadas pela graça divina".[2] As virtudes cardeais são quatro:
• A prudência, que "dispõe a razão para discernir em todas as circunstâncias o verdadeiro bem e a escolher os justos meios para o atingir. Ela conduz a outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida", sendo por isso considerada a virtude-mãe humana.
• A justiça, que é uma constante e firme vontade de dar aos outros o que lhes é devido;
• A fortaleza (ou Força) que assegura a firmeza nas dificuldades e a constância na procura do bem;
• E a temperança (ou Moderação) que "modera a atracção dos prazeres, assegura o domínio da vontade sobre os instintos e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados", sendo por isso descrita como sendo a prudência aplicada aos prazeres.[3]
(Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre)

Uma sociedade necessita e requer a razão, como fundamento de suas decisões, tanto as coletivas, como as decisões pessoais. No trecho abaixo, apresento um comentário da obra A República, de Platão.

“O grande, o verdadeiro político não é – diz Platão – o homem prático e empírico, mas o sábio, o pensador: não realiza tanto as obras exteriores, mas, sobretudo, se preocupa com espiritualizar os homens. Desta maneira é concebido o Estado educador de homens virtuosos.” (Fonte: www.dhnet.org.br/direitos/anthist/marcos/hdh_platao_a_republica.pdf)
Livro IV - Sócrates, dando por fundada a cidade, questiona: “onde poderá estar a justiça, e onde a injustiça, e em que diferem uma da outra” (427d). Para vir à tona o lugar da justiça, enumeram-se as virtudes que uma cidade perfeita deve possuir; estas formam uma “sinfonia”- em primeiro está a sabedoria (Sofia), virtude dos que governam; segue-se a coragem (Andréia), que é a virtude dos guerreiros: “É, pois, uma força desta ordem, salvação em todas as circunstâncias de opinião reta e legítima, relativamente às coisas temíveis e às que não o são, que eu chamo coragem e tenho nessa conta, se não tens nada a opor.” (430b) Vem em seguida a temperança (Sofrosine). É a virtude de toda a cidade, e não de uma classe específica; consiste na ordenação, no domínio diante dos excessos, é “a concórdia, harmonia entre os naturalmente piores e os naturalmente melhores, sobre a questão de saber quem deve comandar, quer na cidade, quer num indivíduo” (432a). Por último, surge a mais importante das virtudes e causa das demais: a justiça (dikaiosyne). “E esta consiste em que cada um realize a função para a qual a sua natureza for mais adequada” (433 a-b-c-d).

Caracterizada a prudência como virtude, ás vezes confundida, com a temperança, pode ser observada na forma que alguém ou instituição trata as idéias ou ideário contrário ou distinto da sua própria concepção ou arcabouço conceitual. Assim, o é na seara do direito, na qual in dúbio pro réu, pois não se pode correr o risco de punir um inocente. Há o movimento ecumênico, que busca os pintos de afinidade e respeito, entre as diversas religiões e seitas existentes em nossa sociedade.
A TOLERÂNCIA é outra virtude, que em nosso entender, em conjunto com a prudência faz parte do bom-senso, que todos os homens devem utilizar nas suas ações e decisões. A tolerância é o ato de ponderar todos os aspectos possíveis de uma determinada questão, antes de emitir a decisão ou conceito; também é uma maneira de evitar um pré-conceito, uma noção pré-concebida sobre algo ou alguma coisa, quando em contato consigo. Nem toda máxima é virtuosa.

A tolerância, do latim tolerare (sustentar, suportar), é um termo que define o grau de aceitação diante de um elemento contrário a uma regra moral, cultural, civil ou física.

Do ponto de vista da sociedade, a tolerância define a capacidade de uma pessoa ou grupo social de aceitar, noutra pessoa ou grupo social, uma atitude diferente das que são a norma no seu próprio grupo. Numa concepção moderna é também a atitude pessoal e comunitária face a valores diferentes daqueles adotados pelo grupo de pertença original.

O conceito de tolerância se aplica em diversos domínios:
• Tolerância social: atitude de uma pessoa ou de um grupo social diante daquilo que é diferente de seus valores morais ou de suas normas.
• Tolerância civil: discrepância entre a legislação e sua aplicação e impunidade.
• Tolerância segundo Locke: «parar de combater o que não se pode mudar».
• Tolerância religiosa: atitude respeitosa e convivial diante das confissões de fé diferentes da sua.
(Fonte: : Wikipédia, a enciclopédia livre)



Podemos concluir que a prudência e a tolerância são virtudes, partes integrantes e necessárias ao bom funcionamento da sociedade. Assim sendo, todo Ir.’. M.’.M.’., de uma forma ou outra, delas necessita para alcançar e trilhar os princípios da filosofia mac.’..

As Virtudes do Maçom
Dedicado aos Companheiros

Na Maçonaria, o homem Manifesta suas virtudes,
Através da firmeza de atitudes.
Maçom deve ser paradigma
Como construtor da Humanidade:
Na prática da Fé, da Esperança e da Caridade.

Essas, apenas não bastam!
Além das teologais,
Deve praticar as naturais,
Para completar a sua marcha:
A Prudência e a Temperança,
A Justiça e a Perseverança.

Francisco Mello Siqueira
(http://www.salmo133.org/s133/blog/2009/10/as-virtudes-cardeais.html)
2003

sexta-feira, 30 de julho de 2010

A OAB COMO UM ORGÃO DE FISCALIZAÇÃO E COMISSÃO DE INTEGRAÇÃO ACADÊMICA





Introdução:


Desde o século V, em Roma, encontra-se referência a uma corporação de
advogados, denominada collegium, ordo, consortium (ou togatorum), à qual
pertencia um número limitado de advogados (numerus clausus), inscritos, por ordem
de antigüidade, num quadro (Codex, II, 17, 3).


Em 1334, a Ordenança de São Luís, na França, obrigava a matrícula de todos os
advogados na Ordem dos Advogados, que deviam, ainda, jurar perante o
Parlamento, que cumpririam seus deveres, em virtude da profissão.



Segundo Vossa Santidade o Papa Paulo VI,
Ninguém, talvez a não ser o sacerdote conheça
melhor do que o advogado a vida humana, sob
seus aspectos mais variados, mais dramáticos,
mais dolorosos, por vezes mais defeituosos,
mas não raro, também os melhores. Não é,
portanto, de admirar tenha sido o ADVOGADO,
desde a antiguidade, o candidato naturalmente
indicado para as funções políticas ou encargos
públicos, por ser o mais capaz de exercê-los,
homenagem prestada, espontaneamente, a seu
valor, às suas capacidades, à sua experiência.
(SS. Papa Paulo VI, in Apologia do Advogado).


A idéia de organizar a classe dos advogados brasileiros é atribuída, originalmente,
ao parlamentar Francisco Gomes Brandão Montezuma nascido em Salvador, Bahia,
em 1794.


Formado pela Faculdade de Direito de Coimbra, foi eleito deputado à primeira
Assembléia Constituinte brasileira, após cuja dissolução buscou exílio na França.


Somente em 1831, quando pôde retornar ao Brasil e reassumir sua cadeira no
Parlamento, Montezuma iniciou a luta pela criação de uma entidade de classe para
os advogados, desencadeando a aprovação, pelo Imperador D. Pedro II, do Estatuto
do Instituto da Ordem dos Advogados Brasileiros, em 1893.
Esse Estatuto, no entanto, entrou em vigor apenas com a promulgação do Decreto
nº 19.408, de 18/11/1930, tendo sido regulamentado pelo Decreto nº 20.764, de
14/12/1931.


Desenvolvimento:


A OAB como um órgão de fiscalização profissional tem entre seus deveres, o papel
de promotor da defesa, representação e disciplina de todos os advogados da
federação. Essas atribuições são naturais devido a seu próprio estatuto e razões de
sua constituição.


Ocorre que além dessa função dentro do campo jurídico, a OAB passou a ter uma
representatividade muito forte além de seus papéis funcionais de conselho de
classe. Atualmente, a OAB age com a sociedade e para a sociedade como um dos
maiores expoentes na defesa pela justiça, da lei, dos direitos humanos, da ética, e,
sobretudo, da defesa do estado democrático de direito.


É justamente esse aspecto que diferencia a OAB dos demais órgãos de fiscalização
profissional. Não é muito difícil percebermos a realidade dessa situação exposta
quando pensamos nos assuntos mais complexos e polêmicos. Sempre que nos
deparamos com alguma situação pública e notória que cause alguma mobilização
social, seja no âmbito criminal, administrativo ou até mesmo civil, é muito comum
vermos ampla divulgação na imprensa acerca do posicionamento da OAB na
questão em debate. De certa forma, a sociedade atualmente espera um
posicionamento da OAB sobre essas questões.


Esse caráter singular da OAB decorre de uma previsão legal de nossa Constituição
que em seu artigo 133, no capítulo destinado às funções essenciais à Justiça,
prescreve que o "advogado é indispensável à administração da justiça", e ainda, em
seu art. 103, VII, atribui legitimidade ao Conselho Federal da Ordem dos Advogados
do Brasil de propor perante o Supremo Tribunal Federal ação direta de
inconstitucionalidade e ação declaratória de constitucionalidade, deixando claro que
a OAB participa, em pé de igualdade com o Poder Público, na provocação do
controle direto de constitucionalidade da ordem jurídica infraconstitucional.
Ainda em outras oportunidades, nossa Carta Maior refere-se ao papel dos
advogados e da OAB na construção da sociedade democrática e na preservação de
nosso Estado de Direito, deixando clara a singularidade da Ordem dos Advogados
do Brasil em relação às demais entidades de representação profissional; sem
embargo, a nenhum outro Conselho Profissional, além da OAB, é feita referência
pela Constituição Federal/88, nem tampouco a nenhum outro são atribuídas funções
institucionais como ocorre com a Ordem dos Advogados do Brasil.


Dessa forma fica claro que o papel que a OAB desenvolve perante a sociedade não
é apenas uma ocasião, trata-se de uma legitimidade prevista pela Constituição e que
certamente conta com grande apoio da sociedade.


Conclusão:


Nesse sentido, espera-se que com a parceria entre OAB e a Universidade, com o
objetivo de interagir com estudantes do curso de Direito, possamos criar palestras e
fóruns de debate permanente com o intuito de conscientizar a classe discente sobre
a importância da OAB para a sociedade e a advocacia.


Espera-se também que essa parceria proporcione aos estudantes que conheçam a
OAB fisicamente e também o seu papel institucional.


Há também a expectativa de que se possa debater o modelo de ensino jurídico
praticado pela maioria dos cursos e encontrar formas de levá-los a um padrão de
qualidade, que seja referência para os demais estados do País. Visto que,
percebemos que a aproximação da OAB junto aos cursos de Direito contribui e
muito para melhorar a qualidade do ensino jurídico para a satisfação daqueles que
objetivam progredir, corrigir e melhorar, para que assim tenhamos o verdadeiro
ensino jurídico, onde quem ganha com isso, no final, é a comunidade que vai
receber os serviços de profissionais formados por essas instituições de ensino
superior.

Por
Rodrigo Oliveira .'.
Graduando no curso de Ciências Jurídicas pela Universidade do Grande Rio.
Membro do Conselho de Integração Acadêmica OAB

domingo, 18 de julho de 2010

O quadro Negro da Educação no Brasil


O economista Aloísio Teixeira, reitor da UFRJ, contabiliza avanços, mas ainda vê um quadro assustador nos números do ensino superior do Brasil.

Há sete anos, completados no dia 1º, no comando da principal instituição de ensino federal do país, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o economista carioca Aloísio Teixeira contabiliza avanços, mas ainda enxerga um quadro assustador nos números do ensino superior do país.

Apenas 13% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados em faculdades, número que, segundo ele, é menos da metade da média do restante da América Latina (32%) e está a anos-luz dos 60% da Europa e dos Estados Unidos.

"Se a gente não recupera isso, estará condenando o país a não ter futuro", afirma em sua segunda entrevista ao Valor, quase sete anos depois da primeira, quando tomou posse. Ao menos na própria UFRJ, o quadro melhorou muito. Teixeira assumiu correndo ao gabinete do então ministro da Educação, Cristóvão Buarque, para pedir verba de emergência.

O orçamento da UFRJ em 2003 era de R$ 40 milhões, R$ 20 milhões dos quais para pagar a conta de luz. Neste ano ele administra uma verba orçamentária superior a R$ 200 milhões, sem contar recursos de outras origens.

Traçou um plano estratégico de dobrar o número de vagas da UFRJ em relação a 2008, de 45 mil para 90 mil (graduação e pós-graduação) até 2020, embora confesse estar atrasado em relação à meta oficial de aumentar o contingente de 2008 em 40% até 2012. Propôs ao conselho universitário da instituição uma cota de 10% das vagas oferecidas em 2011 para estudantes vindos de famílias com renda familiar per capita de até um salário mínimo. Será a cota social no lugar da cota racial, que, para ele, é trocar a parte pelo todo.

Historicamente alinhado à esquerda, segue crítico à política econômica de juros altos e câmbio valorizado do governo, mas continua sustentando que o PT, nesta eleição, continua sendo a expressão da social-democracia brasileira, em oposição à liberal-democracia do PSDB. "É claro que ouvindo certas coisas que o [José] Serra diz, parece que às vezes os papéis se trocam", afirma. A seguir, trechos da entrevista:
- Quando assumiu a reitoria, em 2003, o senhor deu uma entrevista ao "Valor" reclamando de falta de verba. Passados sete anos, o que aconteceu?
Houve uma mudança qualitativa. Quando eu assumi, o orçamento chamado de "outros custeios de capital", quer dizer, todos os recursos que a universidade recebe que não são para pagamento de pessoal, somava pouco mais de R$ 40 milhões. R$ 20 milhões desses R$ 40 milhões eram a conta de energia elétrica. Neste ano, o orçamento de "outros custeios de capital" é superior a R$ 200 milhões. É claro que não corresponde a tudo o que a universidade acha que precisa. Mas é uma situação muito mais confortável do que a que existia há sete anos. Hoje, pagamos alguma coisa como R$ 30 milhões de energia, ou seja, a relação entre a conta de energia e o orçamento mudou inteiramente. Isso nos permite planejar nossas atividades e desenvolver uma série de intervenções que antes eram impossíveis. E isso se deveu ao chamado Reuni, o Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais.
Em 2003, não tínhamos um centavo para despesas de capital e neste ano já temos alguma coisa como R$ 30 milhões, o que permite que a universidade, ela mesma, esteja investindo em novas instalações, novos equipamentos. ..
- Mas o Reuni, em contrapartida, estabelece metas de expansão para as universidades, o que gera mais despesas. Qual é o balanço dessa equação?
É um programa que começou em 2008 e vai até 2012. A previsão é que o número de vagas vá aumentando ano a ano até 2012. Na verdade, estamos fazendo um planejamento de mais longo prazo, até 2020. Nesse planejamento, a ideia é que o número de estudantes da UFRJ duplique, quer dizer, passe de 45 mil (35 mil de graduação e 10 mil de pós-graduação, em 2008) a alguma coisa como 90 mil, o que é um número razoável.

Estabelecemos as nossas metas de crescimento até 2012 e haveria um recurso ano a ano, tanto para despesas correntes como para pessoal, o que nos tem permitido fazer concursos ano a ano para sustentar essa expansão. O quadro de professores da UFRJ havia se reduzido nos anos 90 de 3.500 para 3.100. Hoje já estamos com um quadro superior a 3.500. Fazendo um balanço realista [do Reuni], o que que aconteceu? Houve um crescimento insuficiente nos dois primeiros anos, neste ano estamos trabalhando para recuperar esse déficit de vagas oferecidas e chegar a 2011 já com superávit nas metas estabelecidas. O crescimento previsto até 2012 é da ordem de 40% do número total de vagas.

- Como o senhor analisa a política educacional do governo?
Vou falar da universidade e falar um pouco do ensino pré-universitá rio naquilo que tem uma relação com a universidade, por delicadeza, até pelo cargo que eu ocupo. Acho que para as universidades federais esse período foi muito importante. Não quero estabelecer uma polêmica desnecessária, mas o fato é que nos anos 90 os recursos destinados às universidades federais no Brasil caíram. Isso implicou uma dificuldade muito grande de gestão. Nesses anos do governo Lula, os recursos voltaram a crescer e já superaram o patamar onde estavam no início dos anos 90. Então, a política para a educação superior pública foi importante. Ela tem um aspecto que vale ser ressaltado porque durante muitos anos o crescimento do setor privado foi muito mais intenso do que o segmento público, aí contando não apenas as federais como as estaduais. E, por razões históricas, a maior parte da pesquisa, das atividades de pós-graduação de alta qualidade, está concentrada nas públicas.

O crescimento, da forma que foi feito, implicou, na média, perda de qualidade do sistema como um todo. E o protagonismo que as universidades públicas federais recuperaram recentemente tende a fazer que essa média volte a se elevar. Qual é o problema que eu vejo? O grande problema da educação superior no Brasil é que a cobertura oferecida pelo sistema educacional é muito pequena. Hoje, apenas 13% dos jovens entre 18 e 24 anos, que é faixa etária adequada, estão matriculados em instituições de educação superior, públicas ou privadas. Desses 13%, algo entre 20% e 25% estão em instituições públicas, ou seja, no máximo pouco mais de 3% do total, estão em instituições públicas que são aquelas que têm padrões de qualidade médios superiores. Isso é muito pouco! A média da América Latina é 32%. Nos Estados Unidos e países da Europa são 60% de jovens cursando educação superior. Isso dá uma ideia da defasagem do Brasil. Se a gente não recupera isso, estará condenando o país a não ter futuro. Estou lembrando isso para falar dos problemas. Qual é o primeiro? Se todas as universidades federais cumprirem as suas metas, se o número de matrículas até 2012 houver dobrado, esse porcentual de 13% vai crescer muito pouco. Por duas razões: primeiro porque o peso das federais no conjunto é pequeno. E segundo porque o primeiro resultado dessa expansão é que estudantes que estão hoje na rede privada migrarão para a rede pública pela maior oferta de vagas. Tudo isso agravado pelo fato de que nós temos um estrangulamento no ensino médio. Tem que haver um envolvimento da universidade, já começou, mas tem que ser maior, com os níveis pré-universitá rios. O dado assustador é que o número de vagas que o sistema universitário oferece hoje, instituições públicas e privadas, e o número de formandos do ensino médio é da mesma ordem de grandeza. Isso é que é assustador.

- Então o famoso gargalo do vestibular não existe?
Acho que o vestibular é um mal, mas promove outro tipo de problema: uma redistribuição perversa. No caso da UFRJ, isso é muito claro: no Rio, mais de 60% dos jovens que se formam no ensino médio vêm da rede pública. No vestibular da UFRJ, 70% dos inscritos vêm da rede privada.

- Esse tipo de distribuição reacende aquela questão: é justo que esses 70% tenham ensino público gratuito?
Veja bem, o jovem na faixa etária de 18 a 24 anos está no auge do seu vigor físico e da sua capacidade de aprendizado. Quando a sociedade o retira do processo produtivo e o coloca na universidade, ela está fazendo um investimento. Eu acho que esse investimento deve ser visto como um investimento social e não como um benefício pessoal, individual. É claro que se você tem apenas 13% dos jovens na universidade, na maioria dos casos é apropriado como um benefício individual e isso se remete um pouco para o outro lado da questão, que é o seguinte: se a gente aceita isso, vai estar consolidando essa situação, que é perversa. No meu entender, universidade deveria não apenas ter o ensino gratuito como o estudante deveria receber bolsa. A sociedade paga para que ele estude e se forme e retribua a ela com trabalho de melhor qualidade no futuro. É um conceito de universidade que eu acho que é mais adequado aos nossos países. Um outro aspecto é o seguinte: se a gente tem 70% de jovens que entram para a UFRJ vindos de escolas privadas, por que não pagar? Porque a gente não quer que a universidade seja dos 70%. A gente quer que a universidade seja daqueles que se formam na rede pública e nem sequer tentam entrar na UFRJ.
- Isso remete para a discussão das cotas.

Isso remete, eu diria, para uma discussão geral de acesso às universidades e, particularmente, para uma discussão das cotas. Uma universidade como a nossa é muito cautelosa nas mudanças que faz. E por que que é cautelosa? Porque se tem a consciência de que a gente tem bons indicadores de resultados. Temos 30 programas de pós-graduação com notas máximas na Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior]. Só uma universidade tem mais do que isso: é a USP. Mudar não pode ser alguma coisa que prejudique esse padrão de qualidade. Mas o fato é que hoje a UFRJ está envolvida em um processo de discussão intenso sobre essa questão do acesso. A reitoria apresentou uma proposta que, especificamente na questão do acesso, prevê que 50% das vagas oferecidas sejam preenchidas através do Enem [Exame Nacional do Ensino Médio] e desse número, 20%, ou seja, 10% do total das vagas, irão para estudantes que tenham renda familiar per capita de até um salário mínimo. Essa é uma proposta que está em discussão e a ideia é que até agosto possamos ter alguma definição.

- A cota racial estaria descartada?
Sim. Eu, pessoalmente, não sou a favor da cota racial.
- O discurso da sustentabilidade é uma alternativa ao pensamento de esquerda do século XX?
Eu continuo me considerando uma pessoa de esquerda, tal como fui no século XX. Acho que essa questão da sustentabilidade, ou a questão ambiental, é um ponto a mais na agenda. Não é alguma coisa que substitua as questões da agenda social, mas é um ponto que eu acho que deve ser acrescentado. Por que não substitui? Porque acho que a gravidade dos problemas sociais da humanidade como um todo é imensa. E, obviamente, não é por políticas de sustentabilidade, de preservação do ambiente, que você vai corrigir isso.

Então, acho que esses problemas continuam presentes, exigindo solução. Que risco vejo nessas questões de sustentabilidade? Exatamente isso de eles se apresentarem como substituto. Funciona um pouco, e aí eu faço a provocação, como a questão da cota racial. E eu falo da cota racial no Brasil. O grande problema da universidade são aqueles 13% de que eu falei. O grande problema da universidade é que uma parcela imensa de jovens, que são jovens majoritariamente pobres, não tem como chegar ao ensino superior. Se você dá destaque à questão racial, primeiro, você não vai estar resolvendo o problema do acesso à universidade, que vai continuar limitado a 13%, e pode estar ocultando o fato principal que a luta é por isso, é para abrir a universidade. Se todos os jovens de 18 a 24 anos estivessem na universidade, todos os jovens negros estariam.
- No começo da sua gestão o senhor fez várias críticas à política econômica, dizendo que ela era uma política de transição com risco de que fosse adotada como permanente, o que acabou acontecendo. Hoje, como o senhor avalia a política econômica do governo Lula?

Eu responderei de forma evasiva. Por quê? Eu não tenho falado de política econômica, senão por outra razão, pelo fato de que sendo reitor de uma universidade federal talvez seja indevido eu usar essa posição para falar de um assunto que não é da competência de um reitor. O que posso dizer é que, na verdade, não modifiquei em nada as opiniões que eu tinha. Acho que a política, para ser delicado, foi excessivamente tímida no que diz respeito à gestão simultânea da taxa de juros, da taxa de câmbio... Acho que não se conseguiu superar os limites do que era a política anterior. Nos beneficiamos de início de uma situação internacional extremamente favorável que fez que o ônus dessa política econômica não fosse sentido de uma forma tão intensa como fora anteriormente. E acho que aquilo que, a meu ver, era um erro, acabou sendo favorável. Na medida em que a gente manteve uma taxa de juros muito alta, quando veio a crise internacional havia um espaço enorme para contrabalançar seus efeitos.

- Como o senhor vê o paradoxo entre uma razoável produção científica nas universidades brasileiras e um mau desempenho em inovações que chegam ao mercado? O registro internacional de patentes brasileiro está perto de 10% do chinês. Como resolver?
Eu acho que há um problema, acho que melhorou, mas, se você me perguntasse por que a China registra dez vezes mais patentes do que o Brasil, eu não teria dúvidas de responder: porque as empresas da China são chinesas e as empresas do Brasil são internacionais. Isso não tem nada de xenofobia. O desenvolvimento científico e tecnológico só deu certo de fato em países que criaram vínculos orgânicos entre pesquisa básica, que em geral é feita nas universidades, pesquisa tecnológica aplicada, que é feita dentro das empresas (em parte, nas universidades) e o sistema produtivo. No caso brasileiro, historicamente, a gente tem vícios que são da universidade - universidade bacharelesca etc. etc... - e de um sistema produtivo que se constituiu em uma onda de internacionalização. As empresas de ponta no Brasil não faziam desenvolvimento dentro do país, traziam de fora. E as empresas nacionais que existiam não tinham necessidade de um desenvolvimento tecnológico porque usavam tecnologias de uso difundido. Isso criou um padrão que, mais ou menos, subsiste até hoje.
Quais foram as novidades? Bem, as empresas estatais. Esse programa de redes temáticas da Petrobras reanima, com o fato de restabelecer essa ligação [universidade- empresa]. Acho que as políticas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), da Finep [órgão do MCT], um pouco do BNDES, tendem a ajudar. Agora, acho que temos que avançar mais. É muito pouco para uma economia do tamanho da brasileira.
- Também no começo da sua gestão como reitor, o senhor disse ao "Valor" que o PT era a expressão brasileira da social-democracia, em oposição a um PSDB que estava mais vinculado às políticas liberais, ou neoliberais, do fim do século X. A eleição de 2010 traduz o mesmo quadro?
Eu digo assim, fazendo uma análise que prescinde dos personagens. Acho que o jogo de forças permanece o mesmo. A análise de que o PT é o partido da social-democracia brasileira vai além do Lula. Essa possibilidade de ter um programa reformista com intensa participação e liderança do movimento sindical, esse conjunto de coisas caracteriza um partido social-democrata. E o PT continua isso e, eu diria, vivendo todas as limitações que a social-democracia vive hoje no mundo. Por outro lado, continua no PSDB essa marca de ser uma espécie de liberal-democracia. Sem nenhuma dívida eles têm compromissos fortes com a democracia, mas caber-lhes-ia mais esse rótulo de liberal-democracia. É claro que, ouvindo certas coisas que o Serra [candidato do PSDB à Presidência da República] diz, parece que os papéis às vezes se trocam.
(Chico Santos)
(Valor Econômico, 16/7)

Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. (F Nietzsche)